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O homem por trás do nome: quem foi Felippe Alfredo Wendling

Por Felippe Alfredo Imobiliária·6 min de leitura·31/08/2026
O homem por trás do nome: quem foi Felippe Alfredo Wendling
O que você vai encontrar
  1. Um dentista a cavalo
  2. 1938: o ônibus de madeira
  3. 1959: nove homens e um município
  4. Amigo dos professores
  5. O que o livro escolheu dizer sobre ele
  6. Por que a imobiliária leva o nome dele

Quem passa pela Av. Porto Alegre, em Dois Irmãos, e lê “Felippe Alfredo Imobiliária” na fachada costuma perguntar: quem foi Felippe Alfredo? A pergunta é justa. Nenhum dos corretores da casa se chama assim. O nome é de um homem que morreu em 1993, e que ajudou a fazer da cidade o que ela é. Este texto conta a história dele, com base no livro de história do município, em registros de jornal e nas fotos guardadas pela família.

Um dentista a cavalo

Felippe Alfredo Wendling nasceu em 9 de maio de 1908, em Pinhal Alto, interior de Nova Petrópolis, filho dos agricultores Antônio Wendling e Maria Müller. Saiu de casa cedo para estudar no seminário de Bom Princípio e, aos 18 anos, formou-se dentista prático pelo Curso Casa Sênior, em Porto Alegre. Foi com esse diploma que chegou a Dois Irmãos em 1926. A vila ainda se chamava Baumschneis e pertencia a São Leopoldo.

Ele atendia os pacientes da cidade e, quando o doente morava longe, ia até ele. O livro de Justino Antônio Vier registra as “longas viagens na garupa de um cavalo” até o interior de Santa Maria do Herval. Aos 20 anos casou-se com Catharina Wingert; um ano depois nascia Normélio, o primeiro de oito filhos.

1938: o ônibus de madeira

Aos 31 anos, um problema de saúde o tirou da odontologia. Com uma família numerosa para sustentar, ele fez o que o livro descreve como ter “uma visão clara de nosso futuro”: procurou um amigo, Willy Grin, propôs sociedade, e os dois compraram um chassi Chevrolet novo, sobre o qual mandaram construir uma carroceria de madeira. Em 1º de abril de 1938 a linha começou a rodar.

Segundo ônibus da Empresa Wendling, um Ford com carroceria de madeira e letreiro São Leopoldo e Herval
O segundo ônibus da Empresa Wendling, com letreiro São Leopoldo e Herval. Reprodução do livro “História de Dois Irmãos: Passado e Presente”.

Vale lembrar o que era uma estrada naquela época: chão batido, sem saibro nem brita. Em dia de chuva, não se viajava. O trajeto de Boa Vista do Herval até São Leopoldo levava quatro horas. Na Segunda Guerra, com a gasolina racionada, os ônibus tiveram de rodar a gasogênio, queimando tacos de lenha; Normélio, ainda menino, era o encarregado de cortar a lenha todos os dias. O motor não durava mais que 10 ou 12 mil quilômetros.

Mesmo assim a empresa cresceu. Linha até Porto Alegre em 1939. Quatro ônibus em 1940, seis em 1944. Naquele ano a sociedade com Grin se desfez e a Wendling seguiu sozinha. Em 1946 abriu a linha de Canela, Gramado e Nova Petrópolis; em 1948 e 1953 comprou as linhas de Picada Café e de Pinhal Alto. Em 1960 a firma virou a Empresa Wendling de Transporte Coletivo Ltda., já com os filhos dentro do negócio. É a mesma empresa que hoje, mais de oitenta anos depois, ainda leva o sobrenome da família pelas estradas da região.

Quatro homens de boina e chapéu numa mesa de café, foto em preto e branco
Uma mesa entre amigos, décadas de 1940 ou 1950. Acervo da família Wendling.

1959: nove homens e um município

Assinatura da lei de criação do município de Dois Irmãos, em Porto Alegre, em 1959, com integrantes da comissão emancipacionista em pé ao redor da mesa
Porto Alegre, 10 de setembro de 1959: a assinatura da lei que criou o município, com Felippe Alfredo Wendling entre os integrantes da comissão emancipacionista. Reprodução da Revista Palavra de Educador (2024).

Nos anos 50, os distritos do interior de São Leopoldo pagavam imposto e viam pouco retorno. Foi desse cansaço que nasceu a campanha pela emancipação de Dois Irmãos, conduzida por nove moradores: Alberto Meurer, Albino Pedro Ellwanger, Algemiro Fleck, Felippe Alfredo Wendling, Felippe Seger Sobrinho, Guilherme Bertholdo Becker, João Klauck, José Victor Rausch e Justino Antônio Vier. Houve plebiscito em 15 de novembro de 1958, entrave jurídico no meio do caminho, viagens a Porto Alegre atrás de apoio (o de Francisco Brochado da Rocha ajudou a aprovar uma lei nova na Assembleia) e, em 10 de setembro de 1959, a assinatura do governador Ildo Meneghetti criando o município. Justino Vier, o mesmo que décadas depois escreveria a história da cidade, foi o primeiro prefeito.

Homens de terno brindando em frente ao quadro do Baile do Esporte Clube Vila Rosa
Brinde antes do Baile do Esporte Clube Vila Rosa. Acervo da família Wendling.
Quatro homens, dois deles religiosos, em corredor de igreja
Celebração religiosa em Dois Irmãos. Acervo da família Wendling.

Amigo dos professores

A empresa tomava tempo, mas a educação foi a causa que ele nunca largou. O livro diz que “nunca negou esforços para auxiliar as escolas de nossa cidade”. Em 1970, o prefeito Léo Klauck lhe entregou o diploma “Amigo dos Professores”. Em 1995, dois anos depois da morte dele, a Prefeitura deu o seu nome à escola municipal do bairro Bela Vista. A EMEF Felippe Alfredo Wendling segue em atividade até hoje, da educação infantil ao nono ano.

Uma mulher, um homem de cabelos brancos e um jovem atrás do balcão de uma loja
Atrás do balcão. Acervo da família Wendling.
Reunião de família na sala, com adultos no sofá e crianças no chão
Reunião em casa, com três gerações. Acervo da família Wendling.

O que o livro escolheu dizer sobre ele

Entre todas as coisas que poderiam resumir a vida de um homem, o livro da cidade escolheu esta:

“Sempre foi uma pessoa sincera, jamais falando por meias palavras. Segundo ele, a verdade, por mais que desagradasse, deveria ser dita; e em momento algum deixou de auxiliar a quem precisasse, pois o ser humano infortunado estava acima das riquezas materiais.”

Justino Antônio Vier, “História de Dois Irmãos: Passado e Presente” (1999)

Ele morreu em 28 de outubro de 1993, aos 85 anos, em Dois Irmãos.

Dois homens caminhando numa praça arborizada
Caminhada na praça. Acervo da família Wendling.

Por que a imobiliária leva o nome dele

A Felippe Alfredo Imobiliária é conduzida por Lucas Wendling, neto de Felippe Alfredo, corretor e avaliador de imóveis (CRECI/RS 46.117). Quando a imobiliária precisou de um nome, a escolha caiu sobre o avô. Não por saudade apenas, mas por compromisso: é mais difícil fazer promessa vazia quando o nome na fachada é o de alguém que a cidade inteira conheceu como homem de palavra.

Na prática, o que isso muda? Muda a conversa com o proprietário, que ouve o valor real do imóvel, e não o valor que gostaria de ouvir. Muda a conversa com o inquilino, que entende cada cláusula antes de assinar. Muda o atendimento, feito no escritório da Av. Porto Alegre por gente que você vai encontrar na padaria no dia seguinte. Numa cidade deste tamanho, reputação não se compra com anúncio. Se constrói ao longo de gerações, e se perde em uma tarde.

Felippe Alfredo Wendling construiu a dele em quase setenta anos de Dois Irmãos. A imobiliária que leva o nome dele trabalha para merecê-lo todos os dias.

Leia a página completa sobre Felippe Alfredo Wendling, com a linha do tempo e mais fotos do acervo da família. Para conhecer a equipe e o jeito de trabalhar da casa, visite A imobiliária.

Fontes: Justino Antônio Vier, “História de Dois Irmãos: Passado e Presente” (1999), páginas 142 a 144 e 204; Jornal Dois Irmãos, “10 de setembro de 1959: a história da emancipação de Dois Irmãos” (2024) e “Escola Municipal Felippe Wendling completou 26 anos de história” (2021); histórico da Empresa Wendling de Transporte Coletivo. Fotografias do acervo da família Wendling.

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