Ver imóveis

Início Blog Aluguel

Mofo em casa: o que seis anos de dados do INMET mostram sobre a umidade na região de Dois Irmãos

Por Felippe Alfredo Imobiliária·10 min de leitura·11/09/2026
Mofo em casa: o que seis anos de dados do INMET mostram sobre a umidade na região de Dois Irmãos
O que você vai encontrar
  1. De onde vêm os números
  2. O inverno de 2026 foi o mais úmido dos últimos sete
  3. No ano inteiro, o ar passou mais tempo encharcado
  4. E a chuva? Não foi ela
  5. O que está por trás
  6. Por que isso vira mofo dentro de casa
  7. Clima ou imóvel: como diferenciar
  8. Se você mora de aluguel
  9. Se você é proprietário

Nos últimos meses, uma pergunta passou a chegar com frequência à Felippe Alfredo Imobiliária: “apareceu mofo na parede, estragou o guarda-roupa, isso é problema do imóvel?”. Às vezes é. Na maioria das vezes, não é. Antes de responder no achismo, fomos olhar o que os instrumentos do INMET registraram hora a hora nos últimos seis anos.

Os números em 30 segundos
84,3%
umidade média do inverno de 2026, a maior desde 2020
118 dias
com o ar acima de 90% no último ano, o maior número da série
1.291 mm
de chuva no último ano, abaixo da média dos seis anos

De onde vêm os números

Usamos duas estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia. A de Campo Bom (código A884) fica a uns 10 km de Dois Irmãos e é a mais próxima, mas o sensor de umidade dela ficou desligado de maio de 2020 a junho de 2022 e de novo no inverno de 2025. Por isso usamos também a de Porto Alegre, no Jardim Botânico (A801), que tem os seis anos completos. Os valores de cada cidade são diferentes, mas as duas sobem e descem juntas: nos meses em que ambas mediram, a correlação entre elas foi de 0,93.

As médias foram calculadas a partir das medições de cada hora, de março de 2020 a setembro de 2026. Para comparar anos, contamos de setembro a agosto.

O inverno de 2026 foi o mais úmido dos últimos sete

Em Porto Alegre, a umidade média de junho a agosto de 2026 ficou em 84,3%, a maior desde 2020. O recorde anterior era o inverno de 2022, com 82,1%. Em Campo Bom a média foi ainda maior: 86,5%, contra 79,9% em 2023 e 81,7% em 2024.

A média, sozinha, esconde o que mais pesa dentro de casa: o tempo que o ar passa quase saturado. Por isso o gráfico abaixo soma as horas com umidade acima de 90% e converte em dias inteiros.

Dias com o ar acima de 90% no inverno
Junho a agosto de cada ano, estação Porto Alegre (A801)
2020
29 dias
média 77,8%
2021
33 dias
média 79,7%
2022
40 dias
média 82,1%
2023
31 dias
média 78,5%
2024
34 dias
média 80,5%
2025
35 dias
média 81,5%
2026
recorde
45 dias
média 84,3%
Fonte: INMET, dados horários. Em Campo Bom, o inverno de 2026 teve 55 dias nessa condição, contra 46 em 2023.
O que isso quer dizer
No inverno de 2026, o ar passou 45 dias inteiros acima de 90% de umidade. Em 2020 foram 29. É mais de meio mês a mais com o ar encharcado, justamente na época em que as casas ficam mais fechadas.

No ano inteiro, o ar passou mais tempo encharcado

De setembro de 2025 a agosto de 2026, a umidade média em Porto Alegre foi de 78,2%, a segunda mais alta dos seis anos, atrás só de 2023/24, o ano da enchente. Mas no indicador que mais se relaciona com mofo, as horas com o ar acima de 90%, o último ano ficou na frente de todos.

Dias com o ar acima de 90%, ano a ano
Setembro a agosto, estação Porto Alegre (A801)
20/21
90 dias
21/22
100 dias
22/23
83 dias
23/24
113 dias
24/25
88 dias
25/26
recorde
118 dias
Horas com umidade acima de 90%, convertidas em dias inteiros. Fonte: INMET.

Em Campo Bom, onde a série tem falhas, o sinal é o mesmo: de outubro de 2025 a agosto de 2026 a média foi de 81%, a maior entre os anos com dados comparáveis (74,5% em 2022/23, 78,8% em 2023/24 e 75,2% em 2024/25).

E a chuva? Não foi ela

É natural associar umidade a chuva. Os números mostram outra coisa: o último ano não foi especialmente chuvoso. Em Porto Alegre choveu 1.291 mm entre setembro de 2025 e agosto de 2026, abaixo da média dos seis anos e bem longe dos 2.428 mm de 2023/24.

Chuva acumulada, ano a ano (mm)
Setembro a agosto, estação Porto Alegre (A801)
20/21

1.284
21/22

1.467
22/23

1.222
23/24

2.428
24/25

1.709
25/26

1.291
A linha tracejada marca a média dos seis anos: 1.567 mm. Fonte: INMET.
Chuva: abaixo da média
1.291 mm contra 1.567 mm de média
Ar encharcado: recorde
118 dias com o ar acima de 90%

Março de 2026 resume bem a situação. Em Campo Bom choveu só 31 mm no mês inteiro, e a umidade média foi de 82%. Foi um mês de calor abafado, com o ar carregado de vapor: o ponto de orvalho (a temperatura em que esse vapor vira gota) ficou em 21,3 °C, a maior média mensal registrada em Campo Bom desde que o sensor voltou a funcionar, em 2022. Não é preciso chover para a casa ficar úmida. Basta o ar chegar pesado de água e ficar parado lá dentro.

O que está por trás

Os seis anos pegam fases bem diferentes. De 2020 a 2022, o estado viveu três estiagens seguidas, sob La Niña. Em 2023 e 2024 veio o El Niño, com chuvas extremas e a enchente de maio de 2024. O último ano teve um La Niña fraco, depois neutralidade, e agora um novo El Niño, confirmado pelo INMET e pelo INPE, com previsão de chuva acima da média no Sul na segunda metade de 2026.

No longo prazo, a tendência regional também é de mais água: a normal de chuva em Porto Alegre passou de 1.347 mm por ano (1961 a 1990) para 1.495 mm (1991 a 2020). Seis anos são pouco para falar em mudança de clima, e não é isso que este texto afirma. O que os dados mostram com segurança é mais simples: o último ano teve mais horas de ar encharcado do que qualquer outro desde 2020, e o último inverno foi o mais úmido da série.

Por que isso vira mofo dentro de casa

Vidro de janela coberto de gotas de condensação
Quando o ar úmido encontra uma superfície fria, o vapor vira gota. No vidro a gente vê; atrás do armário, não. Foto: C. G. / Unsplash

O ar sempre carrega água em forma de vapor. Dentro de casa ele recebe mais: banho quente, panela no fogo, roupa secando, a respiração de quem mora ali. Quando esse ar encosta numa superfície mais fria, como a parede atrás do guarda-roupa, o canto do teto ou o vidro da janela de manhã, o vapor volta a ser água. Se o lugar não seca, o fungo encontra o ambiente de que precisa.

A referência
A agência ambiental dos Estados Unidos (EPA) recomenda manter a umidade dentro de casa abaixo de 60%. Com o ar lá fora acima de 80% durante meses, uma casa fechada passa desse limite com facilidade.

Clima ou imóvel: como diferenciar

Nem toda mancha tem a mesma origem, e a origem define quem resolve. Estes são os sinais que olhamos na vistoria:

Clima e uso da casa

Condensação
Onde aparece
Atrás de móveis encostados, dentro de armários, cantos do teto, banheiro
Como é
Pontinhos pretos espalhados, às vezes em vários cômodos. Tinta e reboco firmes
Quando piora
No inverno e em dias abafados, mesmo sem chuva
Quem resolve
A rotina da casa: ventilar e prevenir
Problema do imóvel

Infiltração ou vazamento
Onde aparece
Num ponto específico: embaixo da janela, junto ao telhado, perto de canos
Como é
Mancha que segue um caminho, tinta estufada, reboco soltando, parede molhada ao toque
Quando piora
Depois de chuva forte, ou o tempo todo se for vazamento
Quem resolve
O proprietário
Problema do imóvel

Umidade do solo
Onde aparece
Na base da parede, em faixa, até cerca de um metro
Como é
Rodapé estufado, pó branco (salitre), pintura descascando de baixo para cima
Quando piora
Sempre, com ou sem chuva
Quem resolve
O proprietário

Se você mora de aluguel

Mulher junto a uma janela aberta durante o dia
Abrir a casa todos os dias, mesmo no frio, é a medida que mais faz diferença. Foto: Sam Chang / Unsplash
O que funciona de verdade
  • Abra as janelas todos os dias, 15 a 20 minutos, mesmo no frio, de preferência em lados opostos para o ar cruzar.
  • Afaste os móveis da parede uns 5 a 10 cm, principalmente guarda-roupa, cama e sofá.
  • Evite secar roupa dentro de casa. Se não houver outro jeito, deixe a janela daquele cômodo aberta.
  • No banho e na cozinha, janela aberta ou exaustor ligado enquanto houver vapor.
  • Deixe os armários respirarem: abra as portas de vez em quando e não guarde roupa ainda úmida.
  • Nos cômodos mais críticos, um desumidificador faz diferença.
Termo-higrômetro digital mostrando temperatura e umidade do ar
Um higrômetro simples, desses de parede ou mesa, mostra se a casa passou de 60%. Foto: 022 873 / Unsplash
Onde olhar uma vez por semana
É onde o mofo começa escondido. Pego no início, sai com um pano. Deixado por semanas, estraga móvel, roupa e parede.
  • Atrás dos móveis encostados na parede: guarda-roupa, cama, sofá, estante.
  • Embaixo dos móveis: cama box, sofá, rack e móveis baixos, no piso e na parte de baixo do próprio móvel.
  • Estofados e colchões: sofá, cabeceira e colchão. Vire o colchão e deixe arejar de tempos em tempos.
  • Dentro de armários e gavetas, principalmente os de parede externa. Roupas, sapatos e bolsas guardados por muito tempo mofam primeiro.
  • Cantos do teto, rodapés e atrás das cortinas, junto das janelas.
  • Banheiro: teto, rejunte e box.
Produtos que funcionam
  • Desumidificador elétrico: o mais eficiente para quartos e closets. Esvazie o reservatório todos os dias.
  • Potes ou sachês antimofo de cloreto de cálcio (os “tira-umidade” de supermercado): dentro de armários, gavetas e sapateiras. Troque quando encherem de água.
  • Higrômetro digital: mostra a umidade de dentro de casa. Passou de 60%, é hora de ventilar ou ligar o desumidificador.
  • Removedor de mofo à base de cloro ou água sanitária: para azulejo, rejunte, box e parede lavável, na diluição indicada no rótulo.
  • Vinagre de álcool ou álcool 70%: para madeira, móveis e tecidos, onde o cloro mancharia.
  • Tinta antimofo: na próxima pintura, principalmente em banheiro, cozinha e paredes externas.
Como limpar sem espalhar
  • Pano úmido, nunca a seco. Varrer ou escovar mofo seco espalha os esporos pela casa.
  • Luvas e janela aberta. E nunca misture cloro com vinagre, amoníaco ou outros produtos: a mistura solta gases tóxicos.
  • Estofados e colchões: aspire, passe pano levemente úmido com vinagre ou álcool 70% (teste antes num canto escondido) e deixe secar ao sol ou com ventilador. Mofo que atravessou o tecido costuma exigir limpeza profissional.
  • Roupas: lave assim que notar o cheiro e seque ao sol. Não guarde nada ainda úmido.
  • Seque bem no final. Umidade que fica depois da limpeza traz o mofo de volta em poucos dias.

Se a mancha tiver cara de infiltração, vazamento ou umidade do solo, avise a imobiliária logo, com fotos e o cômodo. Quanto antes, menor o estrago. Agendamos uma vistoria, comparamos com a vistoria de entrada e, se a causa for o imóvel, o conserto é providenciado junto ao proprietário. Explicamos como funciona em Goteira, infiltração e telhado: de quem é a responsabilidade?

Se você é proprietário

O clima não é culpa de ninguém, mas o imóvel pode ajudar ou atrapalhar. Calhas e rufos limpos, telhado revisado antes da primavera, exaustor em banheiro sem janela e tinta antimofo na próxima pintura custam pouco perto de uma discussão com o inquilino ou de uma parede para refazer. Com o El Niño previsto para os próximos meses, este é um bom momento para essa revisão.

Em resumo
O último ano não foi o mais chuvoso. Foi o que teve mais horas de ar encharcado, e o inverno de 2026 foi o mais úmido desde 2020. Isso ajuda a explicar boa parte do mofo que apareceu na região. Não explica tudo: cada caso merece ser olhado de perto, e é isso que fazemos.

Dúvidas, fale com a gente pelo WhatsApp (51) 3177-9006 ou pelo e-mail aluguel@felippealfredo.com.

Fontes: INMET, estações automáticas Campo Bom (A884) e Porto Alegre Jardim Botânico (A801), dados horários de março de 2020 a setembro de 2026, consultados em 11/09/2026 em tempo.inmet.gov.br; boletim conjunto INMET, INPE e outros órgãos sobre o El Niño 2026 (atualizado em 01/09/2026); EPA, “A Brief Guide to Mold, Moisture and Your Home”; normais climatológicas de Porto Alegre segundo levantamento da MetSul. Lacunas: Campo Bom sem dados de umidade de maio de 2020 a junho de 2022 e de meados de junho a meados de outubro de 2025. Fotos: Unsplash.

Ajudou? Manda para quem precisa:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais posts