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Aquecedor a gás apitando com erro E2: o que pode ser e quem paga no aluguel

Por Felippe Alfredo Imobiliária·6 min de leitura·26/09/2026
Aquecedor a gás apitando com erro E2: o que pode ser e quem paga no aluguel
O que você vai encontrar
  1. E2 não quer dizer a mesma coisa em todo aquecedor
  2. As 12 hipóteses, da mais provável à mais rara
  3. Por que a maior parte fica com quem mora
  4. Quando a conta é do proprietário
  5. “O técnico acerta com vocês?”
  6. Se você é proprietário

“Bom dia. O aquecedor parou de esquentar, apita e mostra o código E2. Vocês podem mandar um técnico?” Recebemos mensagens assim toda semana, e quase sempre com a pergunta seguinte: “e o custo, ele acerta com vocês?”. A resposta curta é que, na maior parte das vezes, o problema é de uso ou de manutenção, e essa conta é de quem mora no imóvel. Abaixo está a resposta longa, com o que cada código quer dizer, o que o contrato e a lei dizem e em que casos o proprietário é quem paga.

O essencial em 30 segundos
1 vez por ano
é a revisão que todos os fabricantes pedem no manual
10 de 12
causas possíveis do erro E2 são gás, água ou limpeza
10 a 15 anos
é a vida útil típica de um aquecedor de passagem bem cuidado

E2 não quer dizer a mesma coisa em todo aquecedor

Cada fabricante usa a própria tabela, e às vezes muda de um modelo para outro da mesma marca. Conferimos nos manuais oficiais:

Komeco (linha digital)
Ignição falhou ou a chama apagou durante o uso
Rinnai (compactos)
Sensor de chama, em geral por falta de gás com o aparelho ligado
Lorenzetti
Depende do modelo: pressão de água baixa em um, falha no exaustor em outro
Bosch (Therm 5600 F e 5700 F)
Sensor de temperatura da água que entra
Orbis (316)
Chama detectada antes da hora, sinal de válvula de gás
Rinnai (código numérico)
Não usa E2. O 11 é “sem gás, não acende”; o 12 é “chama apagou”

Na prática, quando o aparelho apita e mostra E2 logo que a água quente é aberta, o suspeito número um é o gás: botijão no fim, registro meio fechado, regulador cansado ou ar na tubulação depois da troca do botijão. Por isso pedimos sempre a foto da etiqueta com marca e modelo. Sem ela, qualquer diagnóstico é chute.

As 12 hipóteses, da mais provável à mais rara

É a lista que um técnico percorre. Repare onde está a maioria.

  • INQUILINOGás acabou no botijão ou na central. Se o fogão também está fraco, é isso.
  • INQUILINORegistro do gás fechado ou meio aberto. Acontece muito depois de trocar o botijão.
  • INQUILINOAr na tubulação. O aparelho só acende depois de três ou quatro tentativas.
  • INQUILINOBotijão pequeno no frio, regulador ou mangueira vencidos. A chama apaga no meio do banho. Mangueira e regulador têm prazo de validade impresso.
  • INQUILINOPilhas fracas, nos modelos a pilha. Não sai a faísca.
  • INQUILINOPouca água chegando: registro pouco aberto ou filtro de entrada entupido. O aparelho precisa de uma vazão mínima para disparar.
  • INQUILINOEletrodo de ignição sujo ou torto. Faz faísca, mas não acende. Resolve na revisão.
  • INQUILINOSensor de chama com fuligem. Acende e apaga em segundos. Também resolve na revisão.
  • INQUILINOQueimador ou bicos sujos. Chama amarelada, fuligem, cheiro diferente.
  • INQUILINOChaminé ou exaustão obstruída. A limpeza é de quem usa. Se a chaminé foi mal instalada, é do proprietário.
  • LAUDOPlaca, válvula de gás ou sensor de fluxo queimados. Pode ser desgaste ou falta de manutenção. O técnico decide.
  • PROPRIETÁRIOTrocador de calor furado ou tomado por calcário. Costuma significar fim de vida útil do aparelho, salvo mau uso.

Por que a maior parte fica com quem mora

Não é uma regra inventada pela imobiliária. A Lei do Inquilinato manda o inquilino tratar o imóvel “com o mesmo cuidado como se fosse seu” (art. 23, II) e reparar os danos que causar (art. 23, V). Nos nossos contratos, a Cláusula 5ª traduz isso para o dia a dia: o que decorre do uso normal e da manutenção preventiva é do inquilino; estrutura, fim de vida útil e defeito anterior à locação são do proprietário.

O aquecedor se encaixa bem nessa divisão. Ele funciona com gás e água que o morador controla, suja com o uso e pede revisão anual segundo todos os fabricantes. A Rinnai escreve no manual que a garantia não cobre “danos causados por falta de manutenção preventiva anual”. A Komeco diz que a manutenção é responsabilidade do usuário. Os tribunais vão na mesma linha: o TJDFT decidiu em 2025 que a falta de manutenção e de troca de peças “afasta a alegação de deterioração decorrente do uso normal”.

Em outras palavras: desgaste natural não é culpa de ninguém e não se cobra do inquilino. Aparelho sem revisão que quebra antes da hora não é desgaste natural.

Técnico de luvas revisando os componentes internos de um aquecedor
A revisão anual limpa queimador, bicos, filtro, eletrodo e sensor. É ela que evita a maioria dos erros e que prova, depois, que o aparelho foi cuidado. Foto: Pexels.

Quando a conta é do proprietário

São os casos mais graves, e são poucos:

  • Fim da vida útil: trocador condenado, conserto que custa mais do que o aparelho vale.
  • Pane de peça principal sem mau uso e com revisão em dia, atestada pelo técnico.
  • Defeito que já existia quando o inquilino entrou e foi apontado nos 7 dias depois da vistoria.
  • Instalação fora da norma: aparelho em banheiro fechado, chaminé errada, falta de ventilação, tubulação de gás embutida com problema.

“O técnico acerta com vocês?”

Não. A Felippe Alfredo indica profissionais de confiança sem cobrar nada por isso, mas o serviço é contratado entre o morador e o técnico: agenda, preço e pagamento são combinados direto com ele. Se o laudo mostrar que a causa é do proprietário, o inquilino manda o laudo e a nota para aluguel@felippealfredo.com, nós acionamos o proprietário e o valor da visita volta para quem pagou.

O que não funciona é o caminho inverso: trocar peça cara ou o aparelho inteiro sem avisar e mandar a conta depois. Aí a discussão já começa perdida.

Cheiro de gás
Feche o registro, abra portas e janelas, não acenda nem apague luz e saia. Ligue para os Bombeiros, 193. O resto espera.

Se você é proprietário

A instalação é sua. Um aquecedor fora da norma técnica (ABNT NBR 13103) é risco de monóxido de carbono, e a Justiça gaúcha já tratou casos assim: em 2018, o TJRS admitiu que a administradora respondesse no processo de um aquecedor “instalado em local inapropriado”. Se o aparelho do seu imóvel está no banheiro, sem chaminé ou com mais de dez anos, vale conversar com a gente antes que ele vire urgência no meio do inverno.

Em resumo
Gás, pilhas, registro, filtro, limpeza e revisão anual: inquilino. Aparelho no fim da vida, pane grave com revisão em dia, defeito da entrada e instalação errada: proprietário. Na dúvida, o laudo do técnico decide, e o primeiro passo é sempre uma foto do visor e da etiqueta.

O passo a passo completo, com a tabela de causas, está na nossa Central de Ajuda: Aquecedor a gás com erro E2 ou sem esquentar: quem conserta e quem paga?

Dúvidas, fale com a gente pelo WhatsApp (51) 3177-9006 ou pelo e-mail aluguel@felippealfredo.com.

Fontes: Lei 8.245/91, arts. 22 e 23 (planalto.gov.br); manuais oficiais Komeco linha digital 20 L, Rinnai REU-E150/E151 e REU1002, Lorenzetti LZ 1600 D-I e LZ 3700 DE, Bosch Therm 5600 F e 5700 F, Orbis 316, consultados em setembro de 2026; TJDFT, 6ª Turma Cível, processo 0731212-86.2024.8.07.0001, julgado em 13/08/2025; TJRS, 15ª Câmara Cível, AI 70074735507, julgado em 07/03/2018. Vida útil: referências de assistências técnicas do setor. Fotos: Wikimedia Commons (Behrat, CC BY-SA 3.0) e Pexels.

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